domingo, 11 de outubro de 2009

Candelabro















A rua adormeceu no asfalto frio

sob a luz trémula de um candelabro antigo

pendurado no orvalho da manhã.


Os fantasmas fogem dos primeiros grãos de calor,

que saltitam de flor em flor nas asas de uma borboleta,

recolhem-se no seu submundo

de pântanos e nevoeiros cerrados,

enquanto as sombras levantam-se para um novo dia

polvilhado de nuvens e fios dourados.


As luzes do candelabro desmaiam,

dos seus braços enferrujados

pendem as folhas estaladiças do Outono

e as rugas de um edifício abandonado.


A terra molhada gela-me a nuca e as costas…

enrolada numa asfixia de trepadeiras,

olho o crepúsculo violeta e adormeço com a Lua!


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O futuro é HOJE!



"Machine" - Regina Spektor

O futuro não é amanhã, é Aqui e Agora!

My eyes are bifocal
My hands are sub jointed
I live in the future
In my prewar apartment
And I count all my blessings
I have friends in high places
And I’m upgraded daily
All my wires without traces

Hooked into machine
Hooked into machine
Hooked into machine
I’m hooked into hooked into
Hooked into machine
Hooked into machine
Hooked into machine
I’m hooked into
Hooked into machine

I collect my moments
Into a correspondence
With a mightier power
Who just lacks my perspective
And who lacks my organics
And who covets my defects
And I’m downloaded daily
I am part of a composite

Hooked into machine
Hooked into machine
Hooked into machine
I’m hooked into, hooked into
Hooked into machine
Hooked into machine
Hooked into machine
I’m hooked into
Hooked into machine

Everything's provided
Consummate consumer
Part of worldly taking
Apart from worldly troubles
Living in your prewar apartment
Soon to be your postwar apartment
And you lived in the future
And the future
It’s here
It’s bright
It's now

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Quero ser pó...

Quero ser pó, terra e cinza.

Abandonar-me nesse aconchego

de flores em putrefacção,

habitat de microorganismos

onde apenas existo como adubo!


Quero ser água, espuma e sal.

Mergulhar nesses braços líquidos

que embalam o crepúsculo

e seguram o horizonte com uma linha de algodão!


Quero ser chama, carvão e lenha.

Incendiar-me nessa lareira coberta em chamas

onde me aqueço nas noites geladas de Inverno…


… e ser novamente cinza e pó!



Regina Spector "Laughing With" do seu novo álbum "Far"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Quimeras




Vis quimeras brotam como espinhos
deste de chão de pedra, vazio…
Perfuram-me as raízes das macieiras,
os caules tenros do rosmaninho…
Rasgam a terra macia,
Onde semeias trigo doce e rosas perfumadas!

Escuto-te ao relento deste corpo queimado:
 - a voz da maré-cheia ecoando
entre as rochas de escarpas pontiagudas!
E a espuma fresca das ondas
lavando-me as rugas do rosto cansado…
E a Lua cristalina
sossegando-me na sua concha prateada!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Rio da Lua



Roubo o brilho às estrelas de vidro
que me polvilham a íris salgada
e escuto o sussurro da noite gelada,
junto a um rio estático, denso
de ventre vadio e em chamas,
por onde desliza o traço luminoso
da sedutora e aveludada deusa Lua!

As raízes das macieiras
chupam-lhe os seios em flor,
as folhas beijam-lhe os lábios de licor
e as pétalas perfumam-lhe a pele macia
com aroma a rosas, tulipas e alecrim.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Semântica do Amor













Imagem retirada do Google

Escorrem-me aguarelas de um azul macio e transparente...

Desenham-me caminhos, escavam poços de água salgada,

onde mergulho as pestanas prateadas da lua

e molho as insaciáveis papilas da tua pele em chama.


Pigmentos dourados e cristalinos

soltam-se da minha paleta de tenras concavidades,

pintando morangos, uvas, rosas e orquídeas,

na tela onde te liquefazes em espuma e sal!


Beijo-te com os lábios da vulva

e segredo-te o significado de Amar!




















Muchacha en la ventana - Salvador Dali





















Acrílico: Fabio Kerr