quarta-feira, 14 de abril de 2010

Perdida na floresta













Fonte da imagem: Filha da Lua Negra

Dormem os bichos
nas tocas de folhas e ramos secos.
Espreitam a meia-lua dourada
e o seu véu cintilante de estrelas aladas...

Escondo-me atrás de um carvalhal,
abraço o tronco denso e rugoso,
aspirando o aroma quente
que serpenteia no ar em tons rosa e violeta.

Sabores frescos, doces, suculentos
derretem-me na boca sedenta de alimento...
Procuro-te entre os ramos das amoras
e os pés das cerejas maduras…

As cigarras cantam
e os grilos dançam
sob os holofotes dos pirilampos…

E antes da aurora despertar a floresta
já os teus lábios me percorrem o corpo febril
e devoram o sal que desliza do meu ventre…

És o palco da vida onde danço livremente!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Terra escura



















Fonte da imagem: blogue Lusovox

Terra escura
onde moram sombras vadias…
No teu leito, dormem criaturas perdidas,
filhas da tempestade quente do deserto.

Estendo a manta cinza

nas margens frescas e doces
do único rio que me atravessa a espinha!

E banho-me nas águas puras,

que jorras do teu corpo
perfumado a amêndoas e mel…
Lavas-me as raízes queimadas dos incêndios,
fertilizando-me o solo com novas sementes da vida!

sábado, 10 de abril de 2010

Impetuoso














Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.

Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Navego mar adentro













Fonte da imagem: blogue Asa que não voa


Icei as velas
no mar brando e sereno…
quando se levantou uma brisa agreste
vinda das terras exóticas de Leste!

Uma cantiga morna e dormente
embalou-me o corpo ao relento,
seguro na madeira quente do leme.

Até que um uivo mais forte e estridente
estremeceu o cabelo solto,
ondulando livre pelos ombros,
ao ritmo deste pedaço de água
que me banha a proa
de espuma e sal queimado.

Estendo-me nua
sob uma tela de azuis pálidos,
raiados de violeta e amarelo-torrado.
A tua mão transparente
desliza-me pelo pescoço fino
e detém-se na curva dos seios fartos.
Respiro-te o ar adocicado
mordendo-me o ventre febril…

Sopras mais forte
e transformas-te em vento do Sul
enquanto rebento numa onda de espuma prateada…

domingo, 14 de março de 2010

Os erros da Humanidade


We don't serve your country
don't serve your king
Know your custom don't speak your tongue
White man came took everyone

(...)

We carry in our hearts the true country
And that cannot be stolen
We follow in the steps of our ancestry
And that cannot be broken
We carry in our hearts the true country
And that cannot be stolen
We follow in the steps of our ancestry
And that cannot be broken

Mining companies, pastoral companies
Uranium companies
Collected companies
Got more right than people
Got more say than people

Forty thousand years can make a difference to the state of things
The dead heart lives here