terça-feira, 8 de junho de 2010

Baloiço























Ilustração por Anna Ignatieva

Penduro-me nesse sopro nocturno
de sabor amargo e doce,
fresco como uma cereja madura,
intenso como o aroma do mar salgado…
E sobrevoo o meu corpo desmaiado
entre rubras tulipas e rosas pálidas!

A terra infiltra-se-me nos vasos sanguíneos
e um último raio de lua
acaricia-me a face com a sua mão prateada,
tão macia quanto o veludo negro
da minha cabeleira encaracolada
ou a seda do meu vestido verde.

domingo, 6 de junho de 2010

Nasceram-me asas























Flashes by Anna Ignatieva

"Durante a noite olhava o céu e imaginava que conseguia transformar-me em fumo para deslizar através das ripas da gelosia fechada. Brincava imaginando que um raio de lua me batia nas costas e me nasciam asas cheias de penas para começar a voar."

in "Eva Luna" de Isabel Allende


quarta-feira, 2 de junho de 2010

What is your Shape?

Sophie "Hunger" sacia-me esta "fome" de formas musicais :)




Lady or gentleman
You're either or
It's morning, it's evening
It's once or it's more"
What's that name? Eh. what's that name? What's my name again?
When I held up the roof the floor would cave in

Shadow boxing, monologue and we talk and we talk and we talk
Shadow boxing, monologue and we walk and we walk and we walk

Scribbling and coughing a line in the winds
So busy with oiling your sandcastle's hinges
What's that name yeah what's that name yeah what's my name again?
Stamp on the ground and the ceiling falls in

Shadow boxing, monologue and we talk and we talk and we talk
Shadow boxing, monologue and we walk and we walk and we walk
Shadow boxing, monologue and we clean and we clean and we clean
Shadow boxing, monologue and we dream and we dream and we dream

And we go down to the beggar, to reach for the Queen
And It's now and forever, and we are and we seem
And we sculpture a statue to worship and bear
The chaos that's behind the glass of
who and what and who and what we are

sábado, 22 de maio de 2010

Desejos vãos























Boneca encantada by Anna Ignatieva

Eu queria ser o Mar de altivo porte
que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
a pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
o bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a Árvore tosca e densa
que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol, altivo e forte, ao fim de um dia,
tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!

Florbela Espanca

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sweet dreams are made of...



- Fantástica crítica social dos Eurythmics


Vivemos cegos...
as pestanas carregam as cinzas
de lágrimas ardidas
e o fogo vai engolindo verdades,
poluindo a justiça!

Vivemos cegos com os "sonhos"
que nos tingem o pensamento!
São ilusões, mentiras...
que tomamos como anti-depressivos!

Mas o mundo está deprimido...
Vejam!
Basta abrir os olhos
e ver o que está por detrás desses "sonhos"!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Gerânios


Ilustração por Anna Ignatieva

No regaço, guardo um molho de gerânios,
colhidos na berma do pensamento,
entre a estrada de asfalto quente
e o passeio de cimento pálido e vazio.

Vagueio sob o Sol forte do meio-dia…
A luz pesa-me nas pálpebras semi-cerradas
e torra-me a pele nua dos braços.
O vestido escalda-me os seios hirtos,
dança com a brisa quente do deserto
e desliza junto aos pés descalços,
sobre as águas transparentes que te enchem o rio!

Desmaio numa cama de pétalas rubras…
Os teus ramos verdes de folha larga
aconchegam-me na noite escura
e uma coruja de penas claras
anuncia o despertar de um novo dia.

domingo, 2 de maio de 2010

Uivo da Natureza















Fonte: blogue Originais... E não só!

Com os meus braços de fogo,
inflamo a terra moribunda
e os caminhos secos do deserto
que te irrigam o corpo velho.

O azul que te enchia os lagos e os rios
tingiu-se de negro e pó…
São crateras vazias,
buracos onde a tua alma definha.

As águas levantam-se em espuma branca
e sacodem o sal na areia escura,
derrubam as muralhas de cimento
que te aprisionam dentro de uma cintura
de casas e indústria.


O mar uiva junto aos meus pés descalços.
Acaricio-te o rosto poluído,
lembrando-te cristalino e transparente.