sábado, 6 de fevereiro de 2016
domingo, 20 de dezembro de 2015
Liberdade
Procuro-te com água na boca quente...
O corpo ereto e humedecido que me acaricia o ventre,
prendo-te entre as mandíbulas de carne viva
e engulo-te lentamente entre língua e garganta...
Dispo-me sob a noite fria e estrelada,
absorvendo-te o hálito licoroso
que me escorre entre os lábios da vulva.
Derreto-me na tua saliva a ferver,
cavalgo-te nua sem freio nem rédeas,
livre para te devorar sem receios.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Partida
O asfalto rijo cola-se-me ao corpo febril e nu...
Inspiro devagar o oxigénio que me chega aos pulmões
em sulcos de fumo e poças de água turva,
estou viva mas em estado de coma emocional...
O nevoeiro cerrado cerca-me a vista agora cega,
o vento empurra-me a pele dormente e pálida,
os ossos gemem mas as veias continuam adormecidas...
No cume da serra polvilhada de branco macio,
vislumbro um horizonte azul e luminoso,
banhado por teias de orvalho morno...
Quero habitar-te planeta mágico e surreal
e abandonar esta existência sem sentido...
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Renascer no submundo
Germinei em viúva negra,
danço sobre tentáculos de veludo
nesta teia que ferve
suor e lágrimas,
humedecendo-te o corpo estéril.
Sorvo as últimas gotas de sémen
que destilas em convulsivos orgasmos mudos,
cravo-te as mandíbulas afiadas
na carne viva que ainda pulsa
dentro dessa carcaça de réptil,
chupando-te o último suspiro
que palpita nessa ereção involuntária,
onde ejaculo charcos transparentes,
prenhes de futuros invisíveis.
danço sobre tentáculos de veludo
nesta teia que ferve
suor e lágrimas,
humedecendo-te o corpo estéril.
Sorvo as últimas gotas de sémen
que destilas em convulsivos orgasmos mudos,
cravo-te as mandíbulas afiadas
na carne viva que ainda pulsa
dentro dessa carcaça de réptil,
chupando-te o último suspiro
que palpita nessa ereção involuntária,
onde ejaculo charcos transparentes,
prenhes de futuros invisíveis.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Serpente
Esfumaço-me em pó estrelar
que se liberta dos teus lábios humedecidos...
Sulcas-me a vulva em erupção,
és prisioneiro do meu ventre líquido.
Serpenteio sobre o teu corpo hirto
em espuma quente e vadia,
escorrendo pela tua glande ereta
sob o véu prateado da lua cheia.
que se liberta dos teus lábios humedecidos...
Sulcas-me a vulva em erupção,
és prisioneiro do meu ventre líquido.
Serpenteio sobre o teu corpo hirto
em espuma quente e vadia,
escorrendo pela tua glande ereta
sob o véu prateado da lua cheia.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Inflamação
Como arrancar da carne viva
a viscosidade daninha que te infeta a vida,
o doce fel que te penetra o ventre moribundo,
devorando-o em espuma e sal...
Mar que engole a areia húmida
prestes a explodir contra as rochas vulcânicas
que te circundam o corpo inconsciente.
Como apagar essa cor violeta
que te mancha o rosto adormecido,
as sombras negras que desaguam nos olhos
numa aguarela mutante sem fim.
De lábios comprimidos um no outro,
tento não expelir este grito mudo
que me fere a garganta seca
com punhais de álcool etílico.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Chão sem sonhos
Subo a rua vazia de tudo,
prenhe de sombras e fantasmas,
ventre de calçada suja,
intumescido por baixo das solas duras
que te pisam com raiva…
Prestes a estalar a placenta ácida
que germina nas tuas vísceras
e que nos corre nas veias negras,
que nos circunda os pulsos algemados
e os lábios aprisionados…
Enquanto os olhos esvoaçam,
criam nuvens e céu azul,
pintam universos encantados e luminosos
por cima do precipício que se aproxima…
De olhos fechados,
ensopados em mar,
mergulho na escuridão cerrada
que persegue os que deixaram de sonhar!
prenhe de sombras e fantasmas,
ventre de calçada suja,
intumescido por baixo das solas duras
que te pisam com raiva…
Prestes a estalar a placenta ácida
que germina nas tuas vísceras
e que nos corre nas veias negras,
que nos circunda os pulsos algemados
e os lábios aprisionados…
Enquanto os olhos esvoaçam,
criam nuvens e céu azul,
pintam universos encantados e luminosos
por cima do precipício que se aproxima…
De olhos fechados,
ensopados em mar,
mergulho na escuridão cerrada
que persegue os que deixaram de sonhar!
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